Ministério das Cidades · Secretaria Nacional de Periferias · UFOB
Uma rede de observatórios populares sustentada pelas comunidades
Formação de pesquisadores comunitários, dados abertos e estrutura permanente nos territórios para acompanhar, com a população, a implementação dos Planos de Ação e das intervenções de urbanização do Programa Periferia Viva — em apoio à Secretaria Nacional de Periferias e à organização social dos territórios.
R$ 11.000.000,0018 meses · 01/11/2026 a 30/04/2028
Metas e produtos
4 metas10 produtos
Equipe
126 bolsistas85 moradores dos territórios
Observatórios Populares
101 piloto + 9 definidos com a SNP/MCID
Foto: Guia do Plano de Ação Periferia Viva, Ministério das Cidades, 2024.
O problema
O desafio está reconhecido no próprio Guia do programa
Ao apresentar seus fundamentos, o Guia do Plano de Ação Periferia Viva reconhece os contratos de longa duração, a capacidade institucional limitada das prefeituras, as dificuldades de integrar as dimensões da vida urbana e, textualmente:
“Os desafios impostos para o controle social nessas grandes operações.”Guia do Plano de Ação Periferia Viva, SNP/MCID, 2024, p. 15
O Programa responde a esses desafios ampliando a urbanização para além das obras. O monitoramento popular se inscreve nessa resposta: é a garantia de que os compromissos pactuados com as comunidades sejam acompanhados ao longo de todo o ciclo, e uma forma de controle social que fortalece o próprio Programa. A Rede se organiza em torno de quatro desafios que o Plano de Trabalho identifica:
Somar a dimensão participativa ao monitoramento contratual e financeiro que já existe — função indispensável que a Rede não substitui.
Comparar territórios. Cada assessoria técnica define seu próprio esquema de monitoramento; a Rede acrescenta uma camada comum de conceitos, linha de base e periodicidade, para que o Programa aprenda com a própria escala.
Atravessar mandatos. Intervenções de urbanização integrada duram mais que uma gestão. Quem permanece no território do início ao fim é a comunidade.
Articular os instrumentos da Secretaria ao longo do ciclo: onde o Edital de Chamamento SNP nº 001/2026 fortalece o planejamento popular, a Rede acompanha a implementação do que já foi pactuado.
A carteira do Programa
A responsabilidade sobre o investimento em bem-estar social
As fichas territoriais do Comitê Gestor Interministerial registram, para cada território, o compromisso público assumido com a população: o repasse, a contrapartida e o que será executado. Acompanhar a implementação desses compromissos, com quem vive nos territórios, é parte da responsabilidade sobre esse investimento.
Carteira selecionada
R$ 6,46 bi59 propostas, 52 proponentes, 48 municípios, 21 estados
Já contratado
R$ 5,03 bi51 propostas com recursos investidos
Desafios de contexto
23territórios com troca de gestão municipal em 2025; 12 sem lei autorizativa; 4 ainda sem contratação
Quem permanece
a comunidadeo único ator presente do início ao fim do ciclo da obra
O desenho
Três esforços, uma rede
O Núcleo Nacional dá método, dados e formação. Os Observatórios Populares Territoriais dão presença e olhos. A adesão federativa dá crescimento sem depender de um único orçamento.
Núcleo Nacional método, dados e formação
Rede nacional de pesquisadores sediada na Universidade Federal do Oeste da Bahia. Produz a metodologia e a matriz de indicadores, mantém a infraestrutura de dados e o Observatório Nacional Público, coordena a formação e responde pela avaliação. Alcança por dados a totalidade da carteira.
Observatórios Populares Territoriais 10 nós
Os nós da Rede: presença física, posto de trabalho e equipe de pesquisa em dez territórios. Cada nó reúne um Pesquisador Socioterritorial Pleno, Pesquisadores Socioterritoriais e Pesquisadores Comunitários e de Articulação Territorial — moradores do próprio território, selecionados com a comunidade e remunerados por bolsa de pesquisa.
Adesão federativa fluxo contínuo
Estados, municípios, emendas parlamentares e patrocínios constituem novos nós usando as minutas e o alinhamento institucional entregues já na primeira meta. Um edital de demanda espontânea pode ser o instrumento dessas parcerias. A Rede cresce por demanda federativa e por iniciativa do próprio Ministério das Cidades.
Os nove territórios além do piloto não são escolhidos por chamada pública: a definição é feita pela equipe do projeto com a Secretaria Nacional de Periferias, por análise da carteira do Programa — faixa da intervenção, Plano de Ação executado ou em execução e organização comunitária prévia — à luz da experiência do piloto. Definidos os territórios, um edital seleciona as equipes de pesquisa que farão a implantação.
Quem faz o trabalho
126 bolsistas. 85 deles moram nos territórios.
Todas as modalidades são bolsas de pesquisa. A maior parte da equipe é formada por Pesquisadores Comunitários e de Articulação Territorial: moradores que investigam o território em que vivem por mapeamento popular e cartografia social, observam a execução da intervenção, organizam a base de dados do nó e participam da leitura coletiva dos achados. São formados pela Escola da Rede, em escolas e associações dos próprios territórios, e certificados ao final como agentes populares de controle social.
Pesquisadores Comunitários
85moradores dos territórios · R$ 950,00 por mês, até oito horas semanais
Socioterritoriais nos nós
2310 Plenos (R$ 7.000,00) e 13 Pesquisadores Socioterritoriais (R$ 3.500,00)
Núcleo Nacional
18coordenação, cientistas de dados, comunicação e design, mestrado e graduação
Referência dos valores
CNPq e UFOBescala praticada nos demais TEDs sob a mesma coordenação
Estrutura dos Observatórios Populares Territoriais por faixa da intervenção
Faixa
Equipe de pesquisa
Bolsistas
Bolsas por mês
Enxoval
Nós
B
1 Pesquisador Socioterritorial Pleno, 2 Pesquisadores Socioterritoriais e 12 Pesquisadores Comunitários e de Articulação Territorial
15
R$ 25.400,00
R$ 90.000,00
3
A
1 Pesquisador Socioterritorial Pleno, 1 Pesquisador Socioterritorial e 7 Pesquisadores Comunitários e de Articulação Territorial
9
R$ 17.150,00
R$ 50.000,00
7
Total
10 Plenos, 13 Socioterritoriais e 85 Comunitários
108
—
R$ 620.000,00
10
Faixa B: territórios com três ou quatro pontos na escala de porte da intervenção; Faixa A: até dois. Cada nó recebe também um Posto de trabalho e o enxoval de instalação.
O nó-piloto
O piloto é uma bacia, não um bairro
O Beberibe concentra três operações contíguas sob dois municípios e um governo estadual, num único sistema hídrico: o efeito de uma obra a montante se manifesta a jusante, sob outra administração. A obra atravessa a fronteira municipal; o controle social precisa atravessá-la também.
O nó-piloto começa no primeiro mês e, nos três primeiros, calibra os instrumentos que os demais nós vão replicar. O território tem quatro décadas de organização documentada, reunida hoje no Comitê Popular de Luta pelo Direito à Vida do Povo do Condor, Cabo Gato e Entorno.
Reunião com o Comitê Popular na sua sede. Peixinhos, 22/07/2026.Professor Arlindo Queiroz, do Comitê Popular, na reunião com a equipe do projeto.
Operações de urbanização na Bacia do Beberibe
Território
Município
Urbanização
UH do MCMV
MCMV
Beira Rio do Condor
Olinda/PE
R$ 291.221.501
700
R$ 107.800.000
Sapucaia/Aguazinha
Olinda/PE
R$ 75.526.245
200
R$ 30.800.000
Cajueiro
Recife/PE
R$ 57.640.368
576
R$ 92.160.000
Total da bacia
R$ 424.388.114
1.476
R$ 230.760.000
Fichas territoriais do Comitê Gestor Interministerial do Programa Periferia Viva, fevereiro de 2025.
Metas e produtos
Quatro metas, dez produtos, 18 meses
Os recursos foram distribuídos entre os produtos por uma matriz de complexidade, prioridade e esforço, ponderada pelo prazo de execução de cada entrega. A implantação dos observatórios nos territórios concentra a maior parte.
Distribuição dos recursos entre as metas
Meta
O que entrega
Valor
Participação
1
Núcleo Nacional, Metodologia e Arquitetura de AdesãoPlano de governança da Rede, Metodologia Nacional de Controle Social Popular com a Matriz de Indicadores, e o Caderno de Modelos de Adesão Federativa.
R$ 1.970.506,73
17,91%
2
Infraestrutura de Dados e Observatório NacionalPlataforma de coleta da Rede e o Observatório Nacional Público, com repositório de dados abertos e documentação semântica — entregues com código-fonte, modelos de dados e documentação.
R$ 2.939.429,93
26,72%
3
Implantação dos Observatórios Populares TerritoriaisEscola de Formação e formação dos agentes populares e dos formadores, nó-piloto da Bacia do Beberibe com ciclo de validação metodológica, e implantação dos nove nós restantes.
R$ 4.742.280,29
43,11%
4
Comunicação, disseminação e avaliaçãoComunicação e jornalismo de dados, boletins e devolutivas; relatórios públicos de monitoramento, Encontros Nacionais da Rede, seminários territoriais e avaliação final.
R$ 1.347.783,05
12,25%
Total
R$ 11.000.000,00
100%
Cronograma
De novembro de 2026 a abril de 2028
Dezoito meses de execução. O piloto abre a vigência; os demais nós entram depois de validada a metodologia; a plataforma e o Observatório Nacional chegam com dados de campo já em produção.
Início da vigência. Plano de governança e metodologia nacional começam; o nó-piloto do Beberibe é instalado e inicia o ciclo de validação, que dura três meses.
Primeiro desembolso, com toda a dotação de investimento: enxoval dos dez Postos e laboratório de dados. Começa o Caderno de Modelos de Adesão Federativa.
Escola de Formação, plataforma de coleta e comunicação entram em execução.
Definidos os nove territórios e selecionadas as equipes por edital, começa a implantação dos demais Observatórios Populares Territoriais.
Observatório Nacional Público em desenvolvimento; a partir de abril, relatórios públicos de monitoramento, seminários territoriais e Encontros Nacionais.
Segundo e último desembolso. Os nove meses finais correm com os recursos já transferidos.
Encerramento: Observatório Nacional e plataforma entregues com código aberto, relatórios finais e avaliação da experiência.
Desembolso 1 · dez/2026
R$ 4,4 mi40% do valor global, com todo o investimento
Desembolso 2 · jul/2027
R$ 6,6 misaldo de 60%
Exercícios
2026 e 2027execução física até abril de 2028
Custos indiretos
10,71%contra um teto legal de 20%
Orçamento
R$ 11 milhões em 18 meses
A Secretaria Nacional de Periferias fixou R$ 11 milhões anuais como referência para estruturar a iniciativa em âmbito nacional. O Plano de Trabalho cabe dentro dessa referência e distribui o valor item a item — valor unitário, meses e quantidade de cada linha —, com parâmetros herdados de instrumentos já executados.
Plano de aplicação por natureza de despesa
Natureza
Valor
%
Bolsas, serviços, pessoal, consumo e deslocamentos (33.90.39)
R$ 9.131.428,57
83,01%
Equipamentos e material permanente (44.90.39)
R$ 690.000,00
6,27%
Custos indiretos — DOAP da fundação (8,5%) e apoio institucional à UFOB (3,5%)
R$ 1.178.571,43
10,71%
Valor global
R$ 11.000.000,00
100%
As bolsas somam R$ 5.062.950,00, quase metade do valor global. O quadro completo, linha a linha, está no Plano de Trabalho.
A proposta em uma frase
Controle social exercido por quem convive com a obra
O acompanhamento é feito por quem mora no território, e não por uma equipe que o visita para coletar dados. A universidade entra como mediadora — dá método, guarda os dados, publica em formato aberto — e não como quem fala em nome de quem mora. O que fica depois do instrumento é capacidade instalada: pessoas formadas, Postos equipados, dados e código abertos.